sábado, 8 de agosto de 2015

Monotrilho da Zona Leste vai ficar ainda mais caro e é marcado por falhas

O monotrilho da Linha 15 Prata, na Zona Leste de São Paulo, coloca em dúvidas a aplicação deste modelo de transporte para a realidade da capital paulista e região metropolitana.
É o que mostra na edição deste sábado, 08 de agosto de 2015, reportagem de Artur Rodrigues e Eduardo Geraque, na Folha de São Paulo.
desvantagens monotrilho

O monotrilho da linha 15 Prata deve ter 26,7 quilômetros de extensão, ligando a região do Ipiranga, na zona Sudeste, ao Hospital Cidade Tiradentes, na zona Leste de São Paulo. Serão 18 estações. A capacidade de atendimento prometida pelo Governo do Estado de São Paulo, quando a obra ficar pronta, é de 500 mil passageiros por dia.
Mas aí é que está um dos problemas, de acordo com a reportagem: Quando a obra ficará pronta?
A promessa inicial era para 2012. O projeto tinha sido apresentado em 2010.
O prazo para a entrega total da obra que era 2012 passou então para 2015 e agora é final de 2018, com nove estações em vez das 18 que só serão concluídas ao longo do tempo.
Obra demorada e obra atrasada significa obra cara.
A promessa inicial era de que o monotrilho custasse aos cofres públicos R$ 6,4 bilhões Agora, está estimada em R$ 7,1 bilhões e há mais dez aditivos contratuais que vão encarecer ainda mais a obra.
Se os valores se restringissem aos atuais R$ 7,1 bilhão, o quilômetro do monotrilho custaria R$ 265 milhões 917 mil 602 e 99 centavos. Para se ter uma ideia, o quilômetro do metrô pesado, de alta capacidade, gira em torno de R$ 900 milhões. Já de o quilômetro de um BRT – Bus Rapit Transit, corredores de ônibus de maior capacidade que um corredor de ônibus convencional está em torno de R$ 30 milhões.
Em relação à demanda, a previsão é de que o monotrilho atenda, quando concluído, 500 mil passageiros por dia, nos 26,7 km. A título de outra comparação, o Corredor Metropolitano ABD, de ônibus e trólebus, entre São Mateus e Jabaquara e entre Diadema e Brooklin, atende 320 mil passageiros por dia em 45 quilômetros, mesmo não reunindo todas as características de um BRT, como cobrança desembarcada (passageiro paga antes da chegada do ônibus) e pontos de ultrapassagem.
Segundo o consultor em transporte, Flamínio Fichmann, as vantagens do monotrilho já foram anuladas.
“Vantagens apresentadas, como a agilidade da obra e a interferência menor no viário, por exemplo, já deixaram de existir”. Para ele, um BRT (tipo de corredor de ônibus com maior capacidade) teria sido mais barato e eficaz.
O engenheiro e mestre em Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia – IME, Marcus Vinicius Quintella Cury, elaborou um estudo intitulado “A verdadeira realidade dos monotrilhos urbanos – Sonho ou Utopia: De volta ao Futuro?”. No levantamento de sistemas em diversas partes do mundo, o especialista mostra que vários fatores levaram à desativação de linhas de monotrilho:
No dia 1º de dezembro de 2010, a Revista Exame publicava uma matéria da repórter Alexa Salomão, intitulada “A conta não fecha com os monotrilhos”, também apresentando dados de especialistas sobre custos em relação à demanda atendida e modelos abandonados no mundo. Na época, se discutia algumas obras em São Paulo:
Em matéria de 29 de agosto de 2014, o técnico em transportes e editor do Portal Via Trólebus. Renato Lobo, trouxe a posição de especialistas sobre as vantagens e desvantagens dos sistemas de monotrilho:
As obras do sistema de trens que circularão em elevados enfrentam vários problemas ao longo do tempo no caso da linha 15. Pelo monotrilho precisar de interferências mais complexas que um VLT – Veículo Leve sobre Trilhos e mais ainda em comparação com o BRT –Bus Rapid Transit são necessárias mais intervenções e um projeto detalhado para as obras, além de mais desapropriações.
O metrô “descobriu” uma galeria de águas pluviais na Avenida Professor Luís Inácio de Anhaia Melo que não estava prevista no projeto. A obra teve de ser paralisada e a galeria remanejada.
As primeiras composições tiveram atrasos na chegada. Depois foram necessários testes antes do início de operação do único trecho em funcionamento: Oratório a Vila Prudente, com 2,9 quilômetros. A partir desta segunda-feira, 10 de agosto, os trens vão circular das 7 h às 19 h somente neste trecho.
O modelo que separou a licitação das obras por trechos também atrapalhou o andamento, segundo os engenheiros do Metrô ouvidos pela Folha de São Paulo.
Houve problemas em relação aos trens. Sensores que passam informações do veículo à central de monitoramento, instalados nas regiões dos pneus, apresentaram defeito. Já o sensor das portas, que atua na abertura e fechamento, emitiam sinais incorretos.
O metrô nega que haja erros de projeto da linha e diz que já sabia da galeria de águas pluviais. A companhia do metropolitano informou que oito estações, entre o Parque São Lucas e São Mateus, na zona Leste estão em obras e que devem ser entregues até o final de 2018.
Já o trecho até Cidade Tiradentes depende de negociações com a prefeitura quanto a desapropriações e o alargamento de vias como Avenida Ragueb Chohfi, Estrada do Iguatemi e Estrada dos Metalúrgicos.
As interferências serão realizadas por causa de um pátio de manobras na região da Ragueb Chohfi.
LINHA 15 PRATA DO MONOTRILHO:
Extensão: 26,7 quilômetros entre o Ipiranga, na zona Sudeste, e Hospital Cidade Tiradentes, na zona Leste.
Estações: 18 estações – Ipiranga, Vila Prudente, Oratório, São Lucas, Camila Haddad, Vila Tolstói, Vila União, Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta, São Mateus, Iguatemi, Jequiriçá, Jacu- Pêssego, Érico Semer, Márcio Beck Cidade Tiradentes, Hospital Cidade Tiradentes
Custo Inicial: R$ 6,4 bilhões
Custo Atual: R$ 7,1 bilhões – R$ 266 milhões por quilômetro. Valor deve ser ampliado por causa de dez aditivos contratuais.
Empresas envolvidas (nos trechos já licitados):
– Fornecimento de 54 trens e 378 carros (vagões): Bombardier.
– Construção das estações São Lucas, Camila Haddad, Vila Tolstói, Vila União, Iguatemi, Jequiriçá, Jacu- Pêssego e Pátio Ragueb Chohfi:  Somague, Benito Roggio, Hijos
– Construção das estações Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta, São Mateus: Triunfo Iesa Infraestrutura S.A.
– Obras na Linha: Queiroz Galvão, OAS, Bombardier.
– Trechos e estações ainda não licitados: Érico Semer, Márcio Beck Cidade Tiradentes, Hospital Cidade Tiradentes (2,7 quilômetros)
– Trecho em operação parcial: Vila Prudente a Oratório – 2,9 quilômetros, das 7h às 19 h., a partir de 10 de agosto de 2015.
Matéria Folha de São Paulo em:
FOLHA DE SÃO PAULO:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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